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Leia os textos para embasar seu projeto de texto. Amplie o projeto com seus
conhecimentos acadêmicos e de mundo.
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Texto 1
As
noites de quinta-feira na Danger, uma conhecida casa noturna gay do centro de
São Paulo, são dedicadas ao sexo. No palco, go-go boys fazem apresentações de
striptease enquanto uma turba animada se esbalda na pista de dança. É numa
saleta propositalmente lúgubre, do lado esquerdo do banheiro, conhecida por
dark room, que a temperatura ferve. Ali, entre paredes e teto pintados de
negro, iluminação fraca composta de luzinhas azuis, grupos de homens jovens e
de meia-idade — de todas as raças e estratos sociais — reúnem-se para se
masturbar, fazer sexo oral ou transar com parceiros conhecidos ou não — à vista
de quem queira.
Numa
madrugada recente, por volta de 1 hora da manhã, dez garotos se divertiam na
sala escura. Encostados na parede, dois transavam sem preservativo. Num outro
canto, uma dupla — um rapaz baixo, de cabelos espetados, e uma travesti de
cabelos escuros, saia preta e blusa branca — também fazia sexo. Usava proteção.
Havia quem apenas se beijasse, quem usasse drogas ou apenas exercitasse o
voyeurismo.
Dali
a duas horas, contavam-se cerca de 30 pessoas na salinha. Um dos garotos que
estava lá desde o início da madrugada já havia tido relações sexuais com quatro
homens. Em apenas um caso com camisinha — a pedido do marido do sujeito, que
lhe forneceu o preservativo. Durante horas e horas, a população flutuante — de
maneiras e timing distintos — aproveitou o que a sala tinha de melhor a
oferecer.
Eram
5 da manhã quando dois seguranças altos e gordos, de camisa e calça pretas,
entraram com a autoridade de uma tropa de choque, apontando um raio laser verde
para o teto que lembrava a série de filmes Star wars. “Acabou,
pessoal.” Pelo chão, entre latas e copos amassados, embalagens de pirulito e
bebida ressecadas, contei apenas oito camisinhas usadas jogadas no chão.
O
sexo sem proteção, infelizmente, ainda é uma prática comum entre os brasileiros
— sobretudo os mais jovens. Uma pesquisa feita pela empresa Gentis Panel em
2016 indicou que 52% da população nunca ou raramente usava preservativo. O ibge
perguntou a adolescentes, em duas ocasiões, se tinham se prevenido na última
relação. Em 2012, 75,3% responderam “sim”. Três anos depois, foram 66,2%.
- Texto 2
Com cada vez mais jovens fazendo sexo de
forma desprotegida, o número de ocorrências de doenças sexualmente
transmíssiveis tem aumentado consideravelmente no Brasil, na esteira do que já
acontece no mundo.
Segundo dados do Ministério da Saúde,
56,6% dos brasileiros entre 15 e 24 anos usam camisinha com parceiros
eventuais.
A falta de prevenção no início da vida
sexual vem preocupando o órgão, afirma Adele Schwartz Benzaken, diretora do
Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais.
"Nos últimos anos, temos observado
que a população mais jovem está reduzindo o uso do preservativo", diz ela
à BBC Brasil.
Mas é no Carnaval que as campanhas de
prevenção se intensificam. Até o fim da festa, peças publicitárias do governo
estarão em TVs, revistas e redes sociais propagando o slogan "No carnaval,
use camisinha - e viva essa grande festa!".
As campanhas miram, sobretudo, o alto
número de pessoas no Brasil que têm HIV mas ainda não sabem - aproximadamente
112 mil brasileiros - e os cerca de 260 mil que vivem com o vírus mas ainda não
se tratam, aumentando o risco de propagação da doença.
Apesar de o principal foco continuar sendo
a prevenção de HIV/Aids, especialistas alertam para o risco de propagação de
outras doenças, como HPV, herpes genital, gonorreia, hepatite B e C e,
especialmente, sífilis.
Disponível
em: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39093771
- Observe as informações sobre as
competências 2 e 3 cobradas na Redação do ENEM
- Competência 2
Utilize informações de várias áreas do
conhecimento, demonstrando que você está atualizado em relação ao que acontece
no mundo. Essas informações devem ser usadas de modo produtivo no seu texto,
evidenciando que elas servem a um propósito muito bem definido: ajudá-lo a
validar seu ponto de vista. Isso significa que essas informações devem estar
articuladas à discussão desenvolvida em sua redação. Informações soltas no
texto, por mais variadas e interessantes, perdem sua relevância quando não
associadas à defesa do ponto de vista desenvolvido em seu texto.
Mantenha-se dentro dos limites do tema
proposto, tomando cuidado para não se afastar do seu foco. Esse é um dos
principais problemas identificados nas redações. Nesse caso, duas situações
podem ocorrer: fuga total ou tangenciamento ao tema.
ESTRATÉGIAS ARGUMENTATIVAS – São recursos
utilizados para
desenvolver os argumentos, de modo a
convencer o leitor:
• exemplos; • dados estatísticos; • pesquisas;
• fatos comprováveis; • citações ou depoimentos de pessoas especializadas no assunto;
• pequenas narrativas ilustrativas; • alusões históricas; e • comparações entre
fatos, situações, épocas ou lugares distintos.
- Competência 3
Esta competência trata da inteligibilidade
do seu texto, ou seja, de sua coerência e da plausibilidade entre as ideias
apresentadas, o que é garantido pelo planejamento prévio à escrita, pela
elaboração de um projeto de texto.
A inteligibilidade da sua redação depende,
portanto, dos seguintes fatores:
• relação de sentido entre as partes do
texto; • precisão vocabular; • seleção de argumentos; • progressão temática
adequada ao desenvolvimento do tema, revelando que a redação foi planejada e
que as ideias desenvolvidas são pouco a pouco apresentadas, em uma ordem
lógica; e • adequação entre o conteúdo do texto e o mundo real.
Projeto de texto é o planejamento prévio à
escrita da redação. É o esquema que se deixa perceber pela organização
estratégica dos argumentos presentes no texto. É nele que são definidos quais
os argumentos que serão mobilizados para a defesa de sua tese, quais os
momentos de introduzi-los e qual a melhor ordem para apresentá-los, de modo a
garantir que o texto final seja articulado, claro e coerente.
Assim, o texto que atende às expectativas
referentes à Competência 3 é aquele no qual é possível perceber a presença
implícita de um projeto de texto, ou seja, aquele em que é claramente
identificável a estratégia escolhida por quem está escrevendo para defender seu
ponto de vista.
Seguem algumas recomendações para atender
plenamente às expectativas em relação à Competência 3:
Reúna todas as ideias que lhe ocorrerem
sobre o tema e depois selecione as que forem pertinentes para a defesa do seu
ponto de vista, procurando organizá-las em uma estrutura coerente para usá-las
no desenvolvimento do seu texto.
Verifique se informações, fatos, opiniões
e argumentos selecionados são pertinentes para a defesa do seu ponto de vista.
Na organização das ideias selecionadas para
serem abordadas em seu texto, procure definir uma ordem que possibilite ao
leitor acompanhar o seu raciocínio facilmente, o que significa que a progressão
textual deve ser fluente e articulada com o projeto do texto.
Examine, com atenção, a introdução e a
conclusão para ver se há coerência entre o início e o fim e observe se o
desenvolvimento de seu texto apresenta argumentos que convergem para o ponto de
vista que você está defendendo.
Na organização do texto
dissertativo-argumentativo, você deve procurar atender às seguintes exigências:
• apresentação clara da tese e seleção dos
argumentos que a sustentam; • encadeamento das ideias, de modo que cada
parágrafo apresente informações coerentes com o que foi apresentado
anteriormente, sem repetições ou saltos temáticos; e,• desenvolvimento dessas
ideias de modo a justificar, para o leitor, o ponto de vista escolhido.
Observe a presença dos aspectos das
Competências 2 e 3 a Redação Nota Mil do Enem 2017 apresentada a seguir:
A Declaração Universal dos Direitos
Humanos – promulgada em 1948 pela ONU – assegura a todos os indivíduos o
direito à educação e ao bem-estar social. Entretanto, o precário serviço de
educação pública do Brasil e a exclusão social vivenciada pelos surdos impede
que essa parcela da população usufrua desse direito internacional na prática.
Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no sistema de
educação inclusiva do país.
Deve-se pontuar, de início, que o aparato
estatal brasileiro é ineficiente no que diz respeito à formação educacional de
surdos no país, bem como promoção da inclusão social desse grupo. Quanto a essa
questão, é notório que o sistema capitalista vigente exige alto grau de
instrução para que as pessoas consigam ascensão profissional. Assim, a falta de
oferta do ensino de libras nas escolas brasileiras e de profissionais
especializados na educação de surdos dificulta o acesso desse grupo ao mercado
de trabalho. Além disso, há a falta de formas institucionalizadas de promover o
uso de libras, o que contribui para a exclusão de surdos na sociedade
brasileira.
Vale ressaltar, também, que a exclusão
vivenciada por deficientes auditivos no país evidencia práticas históricas de
preconceito. A respeito disso, sabe-se que, durante o século XIX, a ciência
criou o conceito de determinismo biológico, utilizado para legitimar o discurso
preconceituoso de inferioridade de grupos minoritários, segundo o qual a função
social do indivíduo é determinada por características biológicas. Desse modo,
infere-se que a incapacidade associada hodiernamente aos deficientes tem raízes
históricas, que acarreta a falta de consciência coletiva de inclusão desse
grupo pela sociedade civil.
É evidente, portanto, que há entraves para
que os deficientes auditivos tenham pleno acesso à educação no Brasil. Dessa
maneira, é preciso que o Estado brasileiro promova melhorias no sistema público
de ensino do país, por meio de sua adaptação às necessidades dos surdos, como
oferta do ensino de libras, com profissionais especializados para que esse grupo
tenha seus direitos respeitados. É imprescindível, também, que as escolas
garantam a inclusão desses indivíduos, por intermédio de projetos e atividades
lúdicas, com a participação de familiares, a fim de que os surdos tenham sua
dignidade humana preservada.
Larissa
Fernandes Silva de Souza, do Pará, disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/leia-redacoes-nota-mil-do-enem-2017.ghtml
- Proposta de Redação ENEM
A
partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos
construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo
em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema:
Aumento
dos casos de DSTs no Brasil, desafio para a sociedade e o Estado
Apresentando proposta de intervenção.
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos
para defesa de seu ponto de vista.
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Artigo de Opinião – Leitura e Análise
As campanhas digitais vieram para
ficar
Segundo um estudo de 2013, dizia com
88% de precisão se alguém era gay, com 95% se era negro e com 85% se era
democrata. A CA adaptou os testes para inferir inclinações políticas de sua
base de dados
HELIO GUROVITZ – 31/03/2018
Quando ninguém acreditava que Donald Trump
pudesse vencer, o jornalista Sasha Issenberg foi visitar o quartel-general da
campanha dele. Doze dias antes da vitória, coassinou um artigo presciente sobre
a estratégia digital de Trump. No dia do debate final entre Trump e Hillary
Clinton, a equipe do marqueteiro Brad Parscale enviara 175 mil mensagens
diferentes a milhões de eleitores. Gastava us$ 70 milhões por mês, quase tudo
anunciando no Facebook. Seus alvos prioritários eram 13 milhões de eleitores em
16 estados decisivos. Não apenas os propensos a votar em Trump, mas também
prováveis eleitores de Hillary. Para afastá-los das urnas, Parscale usava um
recurso do Facebook que torna um anúncio invisível a todos, menos ao
destinatário. Aos negros, lembrava que Hillary já os chamara de
“superpredadores”. Às mulheres, retratava Bill Clinton como estuprador.
Enquetes diárias testavam a eficácia. Numa eleição vencida por menos de 80 mil
votos em três estados, a campanha no Facebook foi decisiva.
Qual o papel da empresa britânica
Cambridge Analytica (CA), investigada por violação de privacidade dos dois
lados do Atlântico? A CA forneceu a Parscale 220 milhões de perfis, segmentados
por 5 mil características. Mas era apenas uma das fontes dos dados usados. Mais
de 200 milhões de perfis foram recolhidos pelo próprio Comitê Nacional
Republicano. Sem os dados da ca, não faltariam informações para Parscale
trabalhar. A principal contribuição da CA foi outra:
A avaliação das chances de alguém votar em
Trump, por meio de uma técnica chamada “psicografia”. Aperfeiçoada por
pesquisadores da Universidade de Cambridge, usava curtidas do Facebook para
deduzir preferências pessoais.
Segundo um estudo de 2013, dizia com 88%
de precisão se alguém era gay, com 95% se era negro e com 85% se era democrata.
A CA adaptou os testes para inferir inclinações políticas de sua base de dados.
Mas avaliar cada eleitor é apenas um
primeiro passo. Pode até parecer revolucionário num país acostumado ao
ultrapassado horário eleitoral gratuito. Em 2016, já era técnica corrente nos
Estados Unidos. A primeira campanha a usá-la não foi a de Trump, mas a de
Barack Obama, em 2008, relata Issenberg em The victory lab (O laboratório da
vitória). Na época, os democratas tinham uma base com 180 milhões de eleitores,
um método próprio para avaliar diariamente as inclinações de cada um e medidas
para estimar se era melhor atingir os indecisos com e-mails, anúncios no rádio,
na tv ou até numa linha de ônibus específica de Ohio. A vitória de Obama foi um
choque para marqueteiros viciados em campanhas de massas. Mostrou o valor de
duas inovações: 1) a microssegmentação para atingir cada indivíduo, não todo o
público; 2) testes de campo para medir a eficácia das mensagens, tão relevante
quanto encontrar os alvos mais propensos a ouvi-la.
O livro de Issenberg ajuda a pôr em
contexto o imbróglio Facebook-ca. Apresenta as inovações eleitorais desde 1919,
quando foram concebidas as primeiras pesquisas. Atravessa as campanhas na tv
dos anos 1950. Passa pela vitória de Kennedy, pioneira ao segmentar o
eleitorado em 480 grupos. Descreve como a microssegmentação — de que a CA tanto
se gabava — já era adotada em 2002, na reeleição de George W. Bush. De lá para
cá, democratas e republicanos vêm protagonizando uma corrida pelas melhores
armas tecnológicas. Hoje a vantagem é republicana. O livro acaba antes de
Parscale, que inovou ao usar o Facebook para baratear os testes de anúncio. Mas
cita a CA no posfácio, como representante do então pré-candidato republicano
Ted Cruz em 2015 (nem se falava em Trump). Os britânicos são descritos como uma
“equipe comum de ciências de dados, grata por contar com pós-doutores em
astrofísica por Cambridge, mesmo que nenhum jamais tivesse trabalhado numa
campanha política”. A empáfia lhes custou caro. Mas as mensagens
individualizadas, a segmentação psicológica e o uso de dados continuarão. Nada
disso tem a ver com as ilegalidades atribuídas à CA.
- Proposta Artigo de Opinião
O artigo de opinião é um gênero discursivo
cujo objetivo é manifestar a perspectiva assumida por um autor. Geralmente é
veiculado em um jornal ou revista e considera diferentes pontos de vista sobre
uma questão relevante em termos políticos, sociais, culturais. Deve ter caráter
informativo e argumentativo.
Assuma a função de um articulista,
especialista nas relações dos jovens com doenças, de um jornal fictício, sobre
o tema: a ausência de campanhas educativas contribui para que DSTs tornem-se um
problema de saúde no Brasil.
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