- Artigo de
Opinião – Leitura e Análise
iGen: Jovens em agonia
O conceito de geração, criação bem
sucedida do marketing americano desde os chamados baby boomers, ganhou
"credencial" científica.
A pesquisadora americana Jean
Twenge, em seu último livro "iGen, Why Today's Super-Connected Kids Are
Growing Up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy -and Completely
Unprepared for Adulthood" (Geração i, por que os jovens de hoje,
superconectados, estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes
-e completamente despreparados para idade adulta), lançado pela Atria Books,
constrói, a partir de um arsenal de pesquisas, um perfil dos jovens nascidos
entre 1995 e 2012.
O universo é o americano, mas,
podemos aplicá-la com razoável segurança aos jovens brasileiros das classes A e
B.
Vale esclarecer que "i"
(internet) aqui se refere ao "i" do iPhone, logo, a autora está
dizendo que esses jovens vivem com um iPhone nas mãos. E também "i"
para "individualismo", traço marcante da iGen.
Trabalho com jovens entre 18 e 20
há 22 anos. E posso perceber enormes semelhanças entre o que ela descreve e o
que vejo no dia a dia, não só em sala de aula mas também graças ao contato
alargado com jovens via mídias sociais.
Muitas dessas características são
quase universais, devido à ampla rede de comunicação e distribuição de bens
criada pelas mesmas mídias sociais.
Escolas e famílias, muitas vezes,
são parte do problema, e não da solução. Ambas se atolam em modas de
comportamento e iludem a si mesmas e aos jovens por conta, seja do marketing
das escolas, seja das projeções vaidosas dos pais sobre seus filhos. O
marketing das escolas é desenhado a partir dessas mesmas projeções vaidosas dos
pais em relação aos seus filhos, ou seja, clientes das escolas.
Algumas dessas projeções são: os
jovens de hoje são mais evoluídos afetivamente, são mais preocupados com temas
sociais, mais tolerantes com o diferente, mais seguros com relação ao que
querem, menos submetidos à moral "imposta" pela sociedade, mais
sensíveis a desigualdade social, mais conscientes de uma alimentação
equilibrada e, no caso das meninas, mais autônomas, independentes e donas do
seu corpo.
Algumas dessas projeções não são,
necessariamente, falsas.
O discurso da tolerância entre os
jovens aumentou de fato, principalmente no tema gay/lésbica/transgênero
(associado a questão "cada um é cada um").
A preocupação com a desigualdade
social também aparece, mas, principalmente, limitado ao campo das mídias
sociais ou intercâmbios caros pra cuidar de crianças sírias na Alemanha, claro,
aprendendo alemão junto e conhecendo jovens do mundo inteiro.
A realidade e o clichê não se
recobrem totalmente.
Segundo a pesquisa de Twenge, nunca
houve jovens tão infelizes na face da Terra. Consumidores de ansiolíticos em
larga escala, a iGen busca "safe spaces" nas instituições de ensino a
fim de não sofrerem com "frases" que causem desconforto emocional. Se
são cuidadosos com os riscos físicos, esse mesmo cuidado no âmbito emocional
indica a quase total incapacidade de lidar com a realidade.
Percebe-se facilmente que os
jovens, "cozidos" no discurso psi da "vulnerabilidade", vão
se tornando mais medrosos. Inseguros, morrem de medo de qualquer ideia que
coloque em xeque seus "direitos à felicidade".
O mundo não ajuda. Ainda mais com
essa gente que mente por aí dizendo que o capitalismo está ficando consciente
ou espiritual. Eles sabem muito bem que o mundo deles será pior: mais incerto,
mais violento, mais competitivo. A agonia com o futuro é crescente.
Se esses jovens desconfiam do
mundo, têm razão em fazê-lo. Muitos pais e professores optaram por um discurso
infantil, muitas vezes querendo "aprender" com os mais jovens -quando
deviam apenas pedir ajuda com o iPhone.
Fazem menos sexo, ao contrário do
que o blá-blá-blá da liberação sexual diz até hoje. Têm medo de contato físico
e veem em tudo a ameaça de assédio sexual. A simples demonstração de desejo é
assédio.
Pensar em ter filhos, jamais!
Filhos, como eles, custam caro, duram muito e nunca querem virar adultos. Melhor
cachorros e gatos.
Luiz Felipe Pondé, disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde
- Dissertação Argumentativa – Leitura e Análise – Yasmin
Lima Rocha, do Piauí
A formação educacional de surdos
encontra, no Brasil, uma série de empecilhos. Essa tese pode ser comprovada por
meio de dados divulgados pelo Inep, os quais apontam que o número de surdos
matriculados em instituições de educação básica tem diminuído ao longo dos
últimos anos. Nesse sentido, algo deve ser feito para alterar essa situação,
uma vez que milhares de surdos de todo o país têm o seu direito à educação
vilipendiado, confrontando, portanto, a Constituição Cidadã de 1988, que
assegura a educação como um direito social de todo o cidadão brasileiro.
Em primeira análise, o descaso
estatal com a formação educacional de deficientes auditivos mostra-se como um
dos desafios à consolidação dessa formação. Isso porque poucos recursos são
destinados pelo Estado à construção de escolas especializadas na educação de
pessoas surdas, bem como à capacitação de profissionais para atenderem às
necessidades especiais desses alunos. Ademais, poucas escolas são adeptas do
uso de libras, segunda língua oficial do Brasil, a qual é primordial para a
inclusão de alunos surdos em instituições de ensino. Dessa forma, a negligência
do Estado, ao investir minimante na educação de pessoas especiais, dificulta a
universalização desse direito social tão importante.
Em segunda análise, o preconceito
da sociedade com os deficientes apresenta-se como outro fator preponderante
para a dificuldade na efetivação da educação de pessoas surdas. Essa forma de
preconceito não é algo recente na história da humanidade: ainda no Império Romano,
crianças deficientes eram sentenciadas à morte, sendo jogadas de penhascos. O
preconceito ao deficiente auditivo, no entanto, reverbera na sociedade atual,
calcada na ética dilitarista, que considera inútil pessoas que, aparentemente
menos capacitadas, têm pouca serventia à comunidade, como é caso de surdos. Os
deficientes auditivos, desse modo, são muitas vezes vistos como pessoas de
menor capacidade intelectual, sendo excluídos pelos demais, o que dificulta aos
surdos não somente o acesso à educação, mas também à posterior entrada no
mercado de trabalho.
Nesse sentido, urge que o Estado,
por meio de envio de recursos ao Ministério da Educação, promova a construção
de escolas especializadas em deficientes auditivos e a capacitação de
profissionais para atuarem não apenas nessas escolas, mas em instituições de
ensino comuns também, objetivando a ampliação do acesso à educação aos surdos,
assegurando a estes, por fim, o acesso a um direito garantido
constitucionalmente. Outrossim, ONGs devem promover, através da mídia,
campanhas que conscientizem a população acerca da importância do deficiente
auditivo para a sociedade, enfatizando em mostrar a capacidade cognitiva e
intelectual do surdo, o qual seria capaz de participar da população
economicamente ativa (PEA), como fosse concedido a este o direito à educação e
à equidade de tratamento, por meio da difusão do uso de libras. Dessa forma, o
Brasil poderia superar os desafios à consolidação da formação educacional de
surdos.
- A partir das propostas abaixo, elaborar seu projeto de
texto:
- Propostas de Redação
- Proposta 1 – dissertação argumentativa
ENEM
Gestão de resíduos sólidos no Brasil,
problema para a sociedade e o Estado.
- Proposta 2 – Artigo de Opinião
Redija texto/artigo de opinião
questionando o destino de lixo eletrônico no Brasil.
- Proposta 3 – Editorial
Redija editorial para Revista semanal,
posicionando-se sobre os lixões do Brasil.
Vivemos tempos líquidos. Nada é para
durar.
Zygmunt Bauman
Sinônimos de Lixo: sujeira, sujidade,
imundície, impureza, entulho, detrito, despejo, resíduo, resto, sobra, sobejo,
refugo, cisco,
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