Redação – MSZ
- Textos motivadores
- Texto 1
País dos privilégios
POR MÍRIAM LEITÃO15/10/2017 06:05
O Brasil cria mais
privilégios a cada semana. Na quarta-feira o STF demonstrou que se for o
senador Aécio Neves que estiver em questão pode-se ter uma interpretação
ambígua até sobre os poderes do Supremo. Na sexta-feira, o Planalto pediu ao
STF para revogar a prisão após a condenação em segunda instância, um dos raros
avanços nos últimos anos sobre o velho problema do país.
O tratamento desigual é o
centro dos erros brasileiros, mas isso é reafirmado constantemente. Pobres e
anônimos vão presos após qualquer condenação, ou passam anos detidos sem sequer
culpa formada. Ricos e famosos só iam para a prisão após a longa tramitação do
processo. O caso Pimenta Neves é o exemplo. Um dos muitos. Assassino confesso,
em crime premeditado, ficou anos fora da prisão — mesmo após dupla condenação —
pela força das estratégias recursais dos seus advogados. No ano passado, o STF
decidiu que após ser condenado por um órgão colegiado, portanto em segunda
instância, o réu começa a cumprir a pena. Isso, hoje, ameaça diretamente muitos
integrantes da elite política brasileira processados pela Lava-Jato. Alguns
ministros do STF ficaram inconformados com a decisão e iniciaram o bombardeio
para que o entendimento fosse revisto. Agora, a Advocacia-Geral da União enviou
ao STF manifestação a favor da revisão.
No Brasil, se o criminoso
fez ensino superior tem direito à cela especial. Se for político, pode cometer
crime comum porque é protegido por imunidade parlamentar. Se for militar,
cumpre pena e fica ao abrigo da Justiça Militar, aquela mesma que ameaçou e
condenou civis durante a ditadura, mas que protege os seus na democracia. O
almirante Othon Luiz Pinheiro, ex-presidente da Eletronuclear, condenado a 43
anos por corrupção, exigiu ficar preso em estabelecimento militar e conseguiu.
Agora já está solto na onda recente que houve de liberação de condenados nos
vários processos contra a corrupção que o país tem assistido.
(...)
Esse tem sido nosso vício
desde o início. O país dos fidalgos, do “sabe com quem está falando" não
aceita o “erga omnes". A revolução que está sendo feita no processo de
combate à corrupção é a de que a lei é universal. Mas o velho país dos
privilégios resiste.
- Texto 2
O bebê é pequenininho, menos
de um mês. Nasceu na cadeia e lá vive com sua mãe. A cela tem capacidade para
doze pessoas, mas está ocupada por 18 lactantes. A mãe cumpre pena por furtar
ovos de páscoa e um quilo de peito de frango. Foi condenada a três anos, dois
meses e dois dias por esse crime.
A defensoria pública de São
Paulo pediu um habeas corpus na última sexta-feira. Acionou o Supremo Tribunal
de Justiça para pedir a anulação do crime, por ser insignificante; a
readequação da pena; ou a prisão domiciliar, garantida pela leis às mães
responsáveis por filhos menores de 12 anos.
O argumento é que a sentença
é desproporcional à tentativa de furto e que a mulher é mãe de mais três
crianças, de 13, 10 e 3 anos de idade. Além do bebê, que será separado da mãe
quando completar seis meses. As quatro crianças crescerão longe da mãe, se ela
seguir cumprindo pena na Penitenciária Feminina de Pirajuí, no interior de São
Paulo.
O ministro do STJ, Nefi
Cordeiro, negou o pedido da Defensoria e manteve a pena da mãe em regime
fechado. Determinou que ela deva cumprir toda a pena na prisão por causa de
“circunstâncias judiciais gravosas”. Disse “não vislumbrar a presença dos
requisitos autorizativos de medida urgente.”
Quem é Nefi Cordeiro?
Curitibano, oficial da PM, formado pela Federal do Paraná. Tem duas medalhas
concedidas pelas Forças Armadas, a do Pacificador e Ordem do Mérito Militar.
Foi nomeado para o STJ por Dilma Rousseff.
Nefi Cordeiro determinou em
julho de 2016 a soltura de Carlinhos Cachoeira, Fernando Cavendish (da
Construtora Delta), e de Adir Assad e Cláudio Abreu. Presos na Operação
Saqueador, eles são acusados de integrar um esquema que lavou R$ 370 milhões de
reais de dinheiro público.
Nefi Cordeiro confirmou em
2015 uma condenação por tráfico de duas gramas de maconha – isso mesmo, duas. É
o menor caso de condenação por tráfico já registrado. A pena foi de quatro anos
e onze meses. O tráfico aconteceu 15 anos antes, em 2000, em Cataguases, Minas
Gerais.
Nefi Cordeiro concedeu
habeas corpus a quatro PMs cariocas que fuzilaram com 63 balas um carro com
cinco jovens inocentes, matando Roberto, de 16 anos, no caso que ficou
conhecido como Chacina de Costa Barros. No dia 7 de julho de 2016, a família
disse que após o habeas corpus, a mãe de Roberto, a cabelereira Joselita,
morreu “de tristeza”.
É lugar comum dizer que o
Brasil precisa de reformas. Mas reformas são leis, e leis dependem de
aplicação, e isso é feito por seres humanos, juízes. No Brasil, muitos juízes
aplicam as leis como bem entendem. É a velha piada que advogados contam: “de
cabeça de juiz e bunda de nenê, nunca se sabe o que vai sair.”
(...)
- Texto 3
Delação Premiada – MC Carol
Troca de plantão, a bala
come à vera
Ontem teve arrego, rolou
baile na favela
Sete da manhã, muito tiro de
meiota
Mataram uma criança indo pra
escola
Na televisão a verdade não
importa
É negro favelado, então tava
de pistola
Na televisão a verdade não
importa
É negro favelado, então tava
de pistola
(Uma câmera de segurança
flagrou um adolescente
Sendo baleado a queima roupa
por policiais)
Cadê o Amarildo? Ninguém vai
esquecer
Vocês não solucionaram a
morte do DG
Afastamento da polícia é o
único resultado
Não existe justiça se o
assassino tá fardado
Na televisão a verdade não
importa
É negro favelado, então tava
de pistola
Na televisão a verdade não
importa
É negro favelado, então tava
de pistola
Três dias de tortura numa
sala cheia de rato
É assim que eles tratam o
bandido favelado
Bandido rico e poderoso tem
cela separada
Tratamento VIP e delação
premiada
- Texto 4
No livro Renato Russo: O
filho da Revolução, do jornalista Carlos Marcelo, o biógrafo conta que Renato
considerava Geddel “in-su-por-tá-vel!”.
Apelidado à época de Suíno,
Geddel ia para escola em um Opala verde e era conhecido por não se dedicar aos
estudos. Renato não gostava da postura do aluno e se distanciava do futuro
ministro, que já naquela época profetizava que seria político, como pode ser
visto nesse trecho da publicação.
"Rigoroso na hora de
selecionar os colegas de grupo, ele (Renato) convida Maria Inês Serra e mais
dois ou três felizardos que se mostraram dispostos a executar a tarefa como ele
planejaria. Tinha gostado de trabalhar com Inês em uma pesquisa sobre cantigas
de roda – esforço alheio representava fator decisivo para a escolha. Deixa
claro (a ponto de despertar antipatia e criar fama de chato) que não carregaria
ninguém nas costas. Apesar dos pedidos de colegas como Geddel Quadros Vieira
Lima para entrar no seu grupo pela garantia de notas altas na avaliação final.
Filho do político baiano Afrísio Vieira Lima, o gordinho Geddel era um dos
palhaços da turma. Chegava no colégio dirigindo um Opala verde, o que
despertava a atenção das meninas e a inveja dos meninos – que davam o troco
chamando-o de “Suíno”. Tinha sempre uma piada na ponta da língua; as matérias,
nem sempre.
Disponível em: https://diversao.r7.com/pop/renato-russo-estudou-com-geddel-e-o-considerava-insuportavel-12092017
- Texto 5
Tudo mudou em 2003 com a
chegada, ironicamente, de Lula. “A polícia passou a ter o dobro dos recursos e
pessoas e virou uma institução capaz de fazer grandes operaçõess. Permitiu que
o ministério público nomeasse o procurador geral. Unificou o poder judiciário,
que era muito disperso”, relembra Pierpaolo Bottini, advogado que participou
dessa reforma no Ministério da Justiça.
Aos poucos começou a
florescer um orgulho de classe. “Se há uma característica que define o Brasil,
crise após crise, é a independência de seu poder judiciário”, vangloria-se por
telefone José Robalinho Cavalcanti, presidente da Associação Nacional dos
Procuradores da República (ANPR).
Mas no Brasil a corrupção
está há décadas incrustada na vida pública. Revelá-la paralisou tudo. A economia
está em crise, a política gira em torno dos tribunais e o povo perdeu a
esperança de que tudo fique melhor quando todos os culpados estiverem na
cadeia. “A nova e definitiva era é de substituição de pessoas pelas
instituições. Salvação, sim, sem salvadores”, afirma Ayres Britto, que foi juiz
do Supremo Tribunal nomeado por Lula entre 2003 e 2012. Um futuro com a classe
política atrás das grades, e que deixa a dúvida sobre quem liderará o país.
- Texto 6
Faça um "bico" de professor e aumente sua renda!
Guilherme Perez Cabral
Torne-se um professor e aumente sua renda! São dez cursos de
licenciatura 100% online. Realize sua segunda graduação e se torne um
professor! É a propaganda de grupo empresarial líder do mercado da educação
superior no Brasil. O garoto-propaganda é o apresentador de televisão que,
agora, flerta com a política. Não é piada de mau gosto.
Nesse estrume eu não pisei. Nem li em placa na rua. Não estava num lugar
público quando vi. Ainda bem, ando enjoado demais, grávido de maus pensamentos.
Certamente, vomitaria em transeunte sem nada a ver com meu embrulho.
Recebi por mensagem da Carol, em casa, com título sugestivo: "nosso
novo presidente". Era brincadeira dela. Brincadeira com um fundinho de
verdade. O apresentador-garoto-propaganda-presidenciável não descarta a
candidatura, disse em entrevista, dia desses. Na avaliação dele, o país vive um
"trauma ético". Precisamos de renovação geracional. Verdade.
A propaganda "torne-se um professor e aumente sua renda"
traumatiza. Deveria traumatizar, pelo menos. É daquelas experiências emocionais
intensas e desagradáveis, que deixam marcas na gente. Deveria indignar. Que
nada. Entre nós, atrai público. Afinal, são dez cursos de licenciatura 100%
online!
Prevê a LDB (Lei de Diretrizes e Bases): os cursos de graduação, da
modalidade licenciatura, formam professores para atuar na educação básica.
Quanto à educação básica, lembro, abrange a formação que todos devemos ter.
Todos.
Sua finalidade, continua a LDB, é desenvolver a pessoa (afetiva, moral e
intelectualmente), assegurando-lhe a formação indispensável para o exercício da
cidadania e lhe fornecendo os meios para progredir no trabalho e em estudos
posteriores.
Licenciatura é assunto muito sério. Sua finalidade, repito, é formar
professores! Gente que, protagonizando a educação básica das crianças e jovens,
assume papel central para o desenvolvimento do país.
Não é "bico" para "aumentar renda". Sem professores
da educação básica bem formados e valorizados continuaremos do jeito em que
estamos, um país mal educado.
Educação não deveria ser reduzida a um negócio, vendido por empresas
que, no final das contas, querem é lucrar. Eis o objetivo do empreendimento: o
lucro.
Licenciatura não poderia jamais ser vendida por aí como produto de
segunda linha (Pego-me imaginando o garoto-propaganda negociando a mercadoria
em um outlet: "tá com uns defeitinhos, mas quase não dá para perceber.
Vale a pena").
Só mesmo um país muito mal educado, sem educação básica, pode admitir
tamanho absurdo. Só mesmo num país muito mal educado uma coisa dessa serve de
publicidade e atrai consumidor. Só mesmo num país muito mal educado educação é
negócio lucrativo, no qual a educação e sua qualidade são o que menos importa.
Uma renovação geracional, para melhor, exige educação básica de
qualidade para todos. E isso passa por bons e valorizados professores. Temo a
renovação que possa vir liderada por quem divulga, vende ou compra curso de
licenciatura como segunda graduação para aumentar renda.
Disponível
em: https://educacao.uol.com.br/colunas/guilherme-cabral/2017/08/21/faca-um-bico-de-professor-e-aumente-sua-renda.htm
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Proposta de Redação – 17 – Dissertação Argumentativa
Foro privilegiado: concessão especial
ou necessidade?
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Proposta de Redação – 18 – Dissertação Argumentativa
Autonomia,
dificuldades e exageros do poder judiciário no Brasil.
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Proposta de Redação – 19 – Artigo de Opinião
No Brasil, bandido rico
e poderoso tem cela separada, tratamento VIP
e delação premiada.
-
Proposta de Redação – 20 – Artigo de Opinião
Para ser professor, é necessário ter
uma qualificação acadêmica e ser aprovado em concurso; para ser parlamentar ...
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