Prevalência de
aids entre homens que fazem sexo com homens aumenta 140% em 7 anos
Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, uso de
preservativos entre jovens em geral é o menor da série histórica
CURITIBA - A
prevalência de aids entre jovens homens que fazem sexo com homens (HSH)
aumentou 140% entre 2009 e 2016. Os números do avanço, considerado expressivo,
foram identificados em uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde e
coordenada pela professora Lígia Kerr, da Universidade Federal do Ceará
(UFC).
Conduzido a partir de
entrevistas feitas em 12 cidades brasileiras, o trabalho também identificou um
aumento da prevalência entre HSH de forma geral, mas com velocidade menor do
que no grupo abaixo dos 25 anos. Quando se analisam os dados gerais, a
prevalência da população com HSH com HIV passou de 12,1% para 18,4% - 1,5 vez
maior.
Na apresentação,
Lígia atribuiu em parte o aumento ao fenômeno da "medicalização" da
prevenção, em que o uso de antirretrovirais é apontado como a melhor arma para
se evitar o HIV, deixando de lado outras estratégias importantes. A
pesquisadora citou ainda a globalização do comportamento. O problema não
estaria restrito ao Brasil, mas presente em outros países.
O estudo foi
apresentado nesta quarta-feira, 27, durante o 11º Congresso de HIV/Aids e o 4º
Congresso de Hepatites Virais, e faz parte e um conjunto de três
pesquisas encomendadas pelo Ministério da Saúde para nortear novas estratégias
de prevenção ao HIV/aids.
Famosos infectados pelo vírus da aids
Militares
Outro trabalho, a
partir de entrevistas com 37 mil jovens de 17 a 20 anos que se alistavam nas
Forças Armadas, também deixa evidente a maior vulnerabilidade do grupo de HSH.
A pesquisa, conduzida pela pesquisadora Rosa Sperhacke, da Universidade de
Caxias do Sul (UCS), revela que no grupo de conscritos em geral, 0,12% era
portador do HIV. Uma taxa semelhante a da que havia sido apresentada na versão
anterior do trabalho, em 2007.
Embora não haja uma
comparação com a edição anterior, os números da edição mais recente mostram que
os jovens HSH têm um risco mais de 10 vezes superior ao dos jovens em geral.
Para esse grupo, a taxa de prevalência de HIV foi de 1,32%.
"Há uma vulnerabilidade
maior, o que indica a necessidade de realizarmos medidas direcionadas. Ver o
que de fato é necessário, ir além do preservativo", afirmou a coordenadora
do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele
Benzaken.
Além da prevalência
de HIV, a pesquisa com jovens que se alistaram no Exército avaliou sífilis e
uma série de comportamentos. O estudo identificou um aumento expressivo aumento
de casos de sífilis. Em 2007, 0,53% dos jovens apresentavam o vírus. Esse
número agora saltou para 1,63%. Mais uma vez, os indicadores disparam com
homens jovens que fazem sexo com homens. No grupo, a prevalência foi de 5,22%.
A preocupação da
coordenadora com a prevenção não é à toa. Resultados do trabalho com os
conscritos mostram que 73,7% dos entrevistados já haviam tido relação sexual,
dos quais 32,2% antes dos 15 anos. Desse total, 20,4% relataram que já haviam
tido relação sexual com mais de 10 pessoas. E, embora 60,9% relatem ter usado
preservativo na primeira relação sexual, apenas 33,9% dizem usar em todas
as relações, independentemente do parceiro. Esse é o menor porcentual da série
histórica da pesquisa com os conscritos, que está em sua sexta edição. Para se
ter uma ideia, em 2000, o porcentual era de uso regular era de 49,7%.
"O uso do
preservativo de forma geral se desgastou. A gente precisa mudar o discurso, de
forma que possamos atingir essas pessoas. Trabalhar com linguagem mais moderna,
ver o que de fato é necessário", afirma Adele.
Sexo pago
O Ministério da Saúde
recebeu ainda dados relacionados a profissionais do sexo. O trabalho
identificou um aumento de menores de 14 anos que fazem sexo pago, o aumento de
casos de sífilis entre as profissionais e, ao mesmo tempo, uma melhora nos
indicadores de preservativos. O trabalho revelou ainda uma redução das taxas de
profissionais que fazem exames ginecológicos.
"Uma hipótese para o aumento da sífilis entre
esse grupo, embora as taxas de aids estejam inalteradas, é a de que essas
mulheres não usam a camisinha com seus parceiros, apenas no trabalho",
observou.
* A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO DEPARTAMENTO DE DST, AIDS E HEPATITES VIRAIS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE
Aids aumenta entre jovens brasileiros
Hoje a estimativa é que 36,9 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com o vírus, mas só metade delas sabem disso! Não deixe de fazer o exame
05.11.2015 -Por Paulo Jubilut
Na década de 1980, a Aids era um ‘fantasma’ que assombrava o mundo. Artistas morreram vítimas de complicações provocadas pela doença, e acabaram se tornando símbolos de um diagnóstico considerado fatal, que durou décadas! Alguns destes famosos foram: Cazuza, Freddie Mercury e Renato Russo. Ser portador do vírus, naquela época, era sinônimo de morte certa! Mas com o avanço das pesquisas científicas o vírus passou a ser controlado no organismo dos portadores da doença. Ser soropositivo hoje é sinônimo de viver muito. Isso é claro, desde que o paciente mantenha o tratamento com o chamado ‘coquetel antirretroviral’ – através do controle da quantidade de vírus no corpo.
Mas ainda é preocupante a alta incidência de soropositivos no nosso país. A estimativa é que 734 mil pessoas estejam contaminadas. Um relatório anual da Unaids, ligada ao programa das Nações Unidas sobre Aids da ONU, revela que enquanto no mundo o número de jovens portadores da doença tem diminuído, no Brasil os índices tem aumentado. A impressão que fica é que os jovens não tem medo da doença. Eles são de uma geração que vê os soropositivos vivendo bem.
Além disso, com o avanço do tratamento, também diminuíram as campanhas de conscientização sobre a doença, e principalmente sobre o uso da camisinha, muito comuns até o final da década de 1990. Naquela época as campanhas da marca Bennetton chocaram o mundo, com imagens de soropositivos no leito de morte, feitas pelo polêmico fotógrafo e publicitário Oliveiro Toscani. Pessoas que rapidamente ‘definhavam’ com a doença, e morriam em pouco tempo.
Campanha do fotógrafo Oliviero Toscani sobre HIV
Os números não mentem. O relatório do Unaids mostra que a cada três pessoas infectadas em todo o mundo, uma tem entre 15 e 24 anos. No Brasil, o número de jovens garotos, de 15 a 19 anos com a doença, aumentou 53% em 10 anos – entre 2004 e 2013. Isso é muito! Provavelmente são estes mesmos jovens que acham que Aids não mata, mas mata sim! E muita gente morre vítima de doenças oportunistas, que atacam quando a imunidade do paciente está baixa. Só em 2013, 1,5 milhão de pessoas morreram de Aids no mundo.
Apesar do crescimento da Aids entre os jovens, o relatório tem dados positivos. De 2000 a 2014, o número de infecções no mundo caiu 35% e passou de 3,1 milhões para 2 milhões no ano passado. O número de mortes também caiu 41% em 15 anos.
Você pode pensar que a doença está muito longe de você, mas cuidado! Muita gente tem HIV e nem sabe, e pode sair por aí passando o vírus pra todo mundo. Por isso, outra preocupação das Ongs brasileiras e entidades que trabalham com saúde pública, é a baixa taxa de adesão ao exame de detecção do vírus. A meta destas entidades é permitir que a maior parte das pessoas tenha acesso aos exames e ao tratamento que diminui a carga viral. Ainda de acordo com relatório da Unaids, hoje a estimativa é que 36,9 milhões de pessoas em todo o mundo vivam com o vírus HIV, mas só metade delas sabem disso! Não deixe de fazer o exame, além de gratuito ele não dói.
Desde 1996, os remédios para controle da doença são gratuitos e distribuídos em todo o Brasil, pelo SUS. Antes de 2013, só pacientes com alta carga viral tinham acesso aos medicamentos de controle. Mas há dois anos o coquetel antirretroviral é distribuído a todos os pacientes, sem restrições. Mais um motivo para não fugir dele. A informação é a melhor arma para se cuidar, e principalmente proteger quem se gosta!
Hoje no mundo inteiro as pesquisas estão avançadas para que se descubra a cura da doença. No Brasil pesquisadores já testam vacinas contra HIV, e a esperança é de que em breve elas possam estar disponíveis para todo mundo! Mas enquanto isso não acontece o método mais seguro para prevenir a doença ainda é o uso de camisinha, SEMPRE! Fique ligado, o amor não imuniza contra a AIDS, e quem vê cara também não vê a doença!

PAULO JUBILUT
CIÊNCIA
Paulo Jubilut é o professor e biólogo responsável pelo projeto Biologia Total. Também tem participação fixa no programa “Encontro com Fátima Bernardes”’ da Rede Globo. A sua atuação está vinculada ao ensino e divulgação das Ciências Biológicas através das redes sociais e internet. Conheça a página do professor no Facebook e o site Biologia Total.
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